Qual o potencial do mercado de energia fotovoltaica na Nigéria?
O estudo mostra que a Nigéria opera atualmente apenas 4 GW de capacidade instalada proveniente de usinas termelétricas e hidrelétricas. Estima-se que, para abastecer totalmente seus 200 milhões de habitantes, o país precise instalar cerca de 30 GW de capacidade de geração.
Segundo estimativas da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), até o final de 2021, a capacidade instalada de sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica na Nigéria será de apenas 33 MW. Considerando que a irradiação solar fotovoltaica no país varia de 1,5 MWh/m² a 2,2 MWh/m², por que a Nigéria, apesar de rica em recursos para geração de energia fotovoltaica, ainda enfrenta a escassez de energia? A IRENA estima que, até 2050, as instalações de geração de energia renovável poderão suprir 60% das necessidades energéticas da Nigéria.
Atualmente, 70% da eletricidade da Nigéria é fornecida por usinas termelétricas a combustíveis fósseis, e a maior parte do restante provém de usinas hidrelétricas. Cinco grandes empresas geradoras dominam o país, sendo a Nigeria Transmission Company a única empresa de transmissão responsável pelo desenvolvimento, manutenção e expansão da rede de transmissão nacional.
A empresa de distribuição de energia elétrica do país foi totalmente privatizada, e a eletricidade produzida pelas geradoras é vendida para a Nigerian Bulk Electricity Trading Company (NBET), a única comercializadora de energia elétrica em grande escala do país. As distribuidoras compram energia das geradoras por meio de contratos de compra de energia (PPAs) e a vendem aos consumidores através da concessão de contratos. Essa estrutura garante que as empresas geradoras recebam um preço fixo pela energia elétrica, independentemente das circunstâncias. No entanto, existem alguns problemas fundamentais nesse sistema que também impactaram a adoção da energia fotovoltaica como parte da matriz energética da Nigéria.
preocupações com a rentabilidade
A Nigéria começou a discutir a instalação de usinas de geração de energia renovável conectadas à rede elétrica por volta de 2005, quando o país lançou a iniciativa “Visão 30:30:30”. O plano visa atingir a meta de instalar 32 GW de usinas de geração de energia até 2030, dos quais 9 GW virão de fontes renováveis, incluindo 5 GW de sistemas fotovoltaicos.
Após mais de 10 anos, 14 produtores independentes de energia fotovoltaica finalmente assinaram contratos de compra de energia com a Companhia Nigeriana de Comércio de Eletricidade em Grande Escala (NBET). O governo nigeriano implementou uma tarifa de incentivo (FIT) para tornar a energia fotovoltaica mais atrativa para investidores. Curiosamente, nenhum desses projetos fotovoltaicos iniciais foi financiado devido à incerteza política e à falta de infraestrutura de rede.
Uma questão crucial é que o governo reverteu tarifas previamente estabelecidas para reduzir as tarifas de incentivo à produção de energia solar fotovoltaica, alegando a queda nos custos dos módulos fotovoltaicos como justificativa. Dos 14 produtores independentes de energia fotovoltaica no país, apenas dois aceitaram a redução da tarifa de incentivo, enquanto os demais afirmaram que a tarifa era muito baixa para ser aceita.
A Companhia Nigeriana de Comercialização de Energia Elétrica em Grande Escala (NBET) também exige uma garantia parcial de risco, um acordo entre a empresa, enquanto compradora de energia, e a instituição financeira. Essencialmente, trata-se de uma garantia para fornecer mais liquidez à NBET caso ela necessite de recursos, que o governo é obrigado a disponibilizar às entidades financeiras. Sem essa garantia, os Produtores Independentes de Energia Fotovoltaica (PIF) não conseguirão obter o pagamento. No entanto, até o momento, o governo tem se abstido de fornecer garantias, em parte devido à falta de confiança no mercado de energia elétrica, e algumas instituições financeiras já retiraram suas ofertas de garantia.
Em última análise, a falta de confiança dos financiadores no mercado de eletricidade nigeriano também decorre de problemas fundamentais na rede elétrica, especialmente em termos de confiabilidade e flexibilidade. É por isso que a maioria dos financiadores e desenvolvedores precisa de garantias para proteger seus investimentos, e grande parte da infraestrutura da rede elétrica da Nigéria não opera de forma confiável.
As políticas preferenciais do governo nigeriano para sistemas fotovoltaicos e outras fontes de energia renováveis são a base para o sucesso do desenvolvimento de energia limpa. Uma estratégia que poderia ser considerada é a desmembração do mercado de aquisição de energia, permitindo que as empresas comprem eletricidade diretamente dos fornecedores. Isso elimina em grande parte a necessidade de regulação de preços, possibilitando que aqueles que não se importam em pagar um valor adicional por estabilidade e flexibilidade o façam. Por sua vez, isso elimina grande parte das complexas garantias que os financiadores precisam para financiar projetos e melhora a liquidez.
Além disso, a modernização da infraestrutura da rede elétrica e o aumento da capacidade de transmissão são fundamentais para que mais sistemas fotovoltaicos possam ser conectados à rede, melhorando assim a segurança energética. Nesse sentido, os bancos multilaterais de desenvolvimento também têm um papel importante a desempenhar. As usinas termelétricas a combustíveis fósseis foram desenvolvidas com sucesso e continuaram a operar graças às garantias de risco oferecidas por esses bancos. Se essas garantias puderem ser estendidas ao mercado fotovoltaico emergente na Nigéria, isso aumentará o desenvolvimento e a adoção de sistemas fotovoltaicos.
Data da publicação: 18/08/2023